Recomeçar medo: quando uma mãe decide seguir um novo caminho
Recomeçar nem sempre é fácil. Entre medos, insegurança e sonhos, compartilho minha experiência de maternidade a decisão de seguir um novo caminho buscando ser uma mãe presente, forte e inspiradora para meu filho.
COMPARTILHANDO VIVÊNCIAS


Olá, mamães
Espero que todas estejam bem.
Alguns dias atrás li uma frase no Instagram da minha irmã, algo mais ou menos assim: “Recomece quantas vezes for necessário.” Parece uma frase clichê, muito comum de se ouvir ou dizer, é verdade. Mas, se pararmos para pensar com mais profundidade, ela é muito forte. Recomeçar é um grande desafio, pois envolve muitos sentimentos, principalmente o medo — medo do desconhecido, de falhar, de sair da zona de conforto, do julgamento, da crítica e, por que não, da autocrítica.
Recomeçar também dá medo
Recomeçar dói, machuca, causa ansiedade, um grande desconforto, dúvidas e angústias. Poderíamos listar inúmeros sentimentos envolvidos no simples fato de recomeçar, por menor que seja esse passo. Mas, em contrapartida, vou usar outra frase: “Grandes conquistas exigem grandes sacrifícios.” Eu me arriscaria a dizer que, juntas, essas frases resumem a vida. Porque viver — seja aceitando a forma como a vida se impõe, seja buscando versões melhores de nós mesmas diariamente, ou simplesmente seguindo um dia após o outro — é assim: são escolhas e suas consequências.
As escolhas que fazemos todos os dias
Diariamente fazemos escolhas. Algumas são confortáveis, outras causam grande desconforto, mas, no final, todas são escolhas e todas terão consequências, boas ou não tão boas assim… e isso faz parte.
Cabe a nós decidir se vamos viver de fato ou apenas esperar a vida passar, lamentando enquanto o tempo corre e não fazemos nada, apenas seguindo o fluxo — e isso também é uma escolha. Outra opção é trilhar o caminho oposto e enfrentar a vida de frente, o que exigirá mais sacrifício, mas trará grandes resultados como consequência. Enfim, no final, tudo se resume a escolhas. Cabe a nós saber o quanto estamos dispostas a sentir o desconforto ou permanecer confortáveis com nossas decisões.
Quando viver no automático deixa de fazer sentido
Num primeiro momento, você pode achar que isso é apenas mais um discurso bonito, com palavras soltas ditas por alguém que não conhece a sua realidade. E, de fato, temos vidas, rotinas e realidades diferentes umas das outras — e está tudo bem. Mas eu também faço parte desse grupo que acredita que recomeçar é difícil, desafiador, causa um medo enorme e eleva a ansiedade ao máximo. Ao mesmo tempo, também acredito que devemos isso a nós mesmas: sermos gentis conosco por tudo o que enfrentamos no dia a dia. Precisamos nos acolher e nos olhar com carinho.
Durante muito tempo — acho que desde sempre — vivi no modo “deixa a vida me levar”, aceitando e normalizando tudo porque assim era mais fácil. Não causava desconforto para mim nem para quem estava ao meu redor. Porém, por outro lado, não me fazia bem, porque sempre voltava o pensamento do “E se eu tivesse…”, “E se eu fosse…”. Às vezes sinto vontade de voltar no tempo e trilhar caminhos diferentes, principalmente no âmbito profissional, com o objetivo de me sentir mais realizada. E isso me consumia por dentro e acabava gerando sofrimento.
Mas, nos últimos dias, tenho pensado muito sobre isso. E, retomando a frase do início — “recomece quantas vezes for necessário” — tomei a decisão de me olhar com mais gentileza.
Gentileza consigo mesma também é coragem
Na verdade, acho que esse processo começou no início do ano passado, quando passei a levar meus treinos mais a sério e a seguir uma alimentação mais saudável. Os resultados começaram a surgir, e aqui vale ressaltar que eles vão muito além da estética. O exercício tornou-se meu chão, meu ponto de equilíbrio físico e emocional, meu momento comigo mesma. Aquilo que faço por mim, onde não sou apenas mãe, dona de casa ou esposa, mas uma pessoa que está se cuidando, se olhando, florescendo.
E isso tem refletido na minha vida como um todo.
Quando cuidar de si muda tudo
Desde o início deste ano, tenho pensado e refletido sobre a vida, sobre minhas escolhas antigas e sobre o que ainda faz sentido para mim. Essa reflexão tem sido muito positiva, pois me fez perceber que o lugar onde estou não é onde quero permanecer. Posso ir além, mesmo que seja pelo simples fato de buscar algo que é meu, algo que eu escolhi — ainda que talvez não haja tempo para colher tantos frutos. O tempo não para para decidirmos qual caminho trilhar, mas, ainda assim, quero ter a sensação de ter feito algo por mim, algo que eu escolhi.
Nesse contexto, resolvi me aventurar em uma nova profissão. Sim, voltar para a sala de aula, mas agora como aluna — alguém que está ali para aprender, e não para ensinar. Isso representa um grande passo e um enorme desafio.
Estou disposta a enfrentar. Já vivenciei um semestre, tranquei, e agora estou retornando um pouco mais confiante, mais madura e mais certa do que quero — e não apenas como uma fuga de um trabalho que me sufoca. Sei que nessa jornada haverá muitos desafios: conteúdos difíceis, dificuldades de compreensão, o fato de estar entre jovens recém-saídos do ensino médio, a imaturidade de alguns, o acolhimento de outros… Mas vou seguir firme, pois estou fazendo isso por mim, e esse precisa ser o meu maior objetivo.
A coragem de mudar de caminho
Ao final deste semestre, quero ter a certeza de que este é o meu novo caminho — ou talvez descobrir que não seja, e estará tudo bem. Terei tentado, vivido, experimentado; não estarei presa ao “e se…”. Mas, se essa certeza chegar, vou me dedicar de cabeça e ir até o fim, ajustando uma coisinha aqui e outra ali, contando com o apoio do meu esposo e do meu filho, que, apesar de pequeno, também faz parte desse processo.
Em alguns momentos terei que me ausentar para estudar e fazer provas, e ele precisará compreender. Porque tudo o que faço é por ele também. Quero que ele tenha uma mãe inteira, realizada, completa e feliz. Que tenha orgulho de mim, que veja que cheguei onde queria, mesmo que de forma tardia.
Ao mesmo tempo, quero que me tenha como seu porto seguro: alguém que sempre esteve ali por ele e com ele, que soube ouvir, compreender, estimular, acompanhar e contribuir para o seu desenvolvimento de forma saudável. E, para isso, eu preciso estar bem, inteira, para poder cuidar bem dele.
Ir com medo mesmo
Sei que o caminho não será dos mais fáceis. Sei que o medo, a insegurança e a incerteza estarão presentes durante a jornada, mas, ainda assim, escolho seguir. Escolho ir, mesmo com medo. E quem sabe, lá na frente, eu consiga olhar para trás e me reconhecer nessas palavras:
“Eu tive medo, mas eu fui com medo mesmo.”
Talvez recomeçar seja exatamente isso: não esperar a coragem chegar, mas caminhar apesar do medo. Um passo de cada vez, respeitando o tempo, acolhendo as dúvidas e sendo gentil consigo mesma.
E você?
Tem ido com medo mesmo ou ainda está esperando se sentir pronta?
Se quiser, compartilhe nos comentários a sua história, uma reflexão ou apenas um sentimento. Pode ser que a sua palavra acolha alguém que também está tentando recomeçar. 💛
